terça-feira, 27 de abril de 2010

A idade do chinelo

Um dia, o mais provável é tornares-te num chato, deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério. Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e bege, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído, economicamente consciente. Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais tempo no sofá e não ao relento. É oficial. Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar no colo dos amigos e vais esquecer-te de como se faz um quantos-queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de 4 em 4 anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto. Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podes, que não deves, que tens vergonhas. Vais ser mais triste.

Um dia vais achar que sair à noite é ir pôr o lixo no contentor.



AQUI FICA UMA IDEIA: QUANDO ESSE DIA CHEGAR, NÃO LHE FALES.

sumol - mantém-te original (gostei muiiiiiiiiito)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Uma das melhores fotos do verão passado...

Sim a minha família é linda! :)
É do mais maravilhoso e extraordinário ver o carinho e cumplicidade de um avô com os seus netinhos (pestinhas uuuuiiiii) ...

Tenho pra mim...

...que 80% das pessoas que têm blogs são pseudo-intelectuais ou pseudo-poetas. Eu não entro nessa contagem, sou simplesmente um génio! xD

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Ontem de noite não consegui, não consegui controlar a pulsação que me habitava por dentro. Ao meio da noite, ao abrir os olhos, senti como sempre a tua cabeça pousada sobre o meu ombro, preparada para me ver dormir todas as vezes que acordavas bem antes de mim. À minha volta senti o teu braço, enrolando-me como se tivesses em ti o medo de me ver partir para bem longe de ti, o teu inconsciente mentalizou-te que eu era a tua eterna prisioneira. Dei por mim, a querer deixar tudo, com toda a minha delicadeza desloquei o teu rosto e pousei-o sobre o lençol e fugi do teu braço, ao deixá-lo cair delicadamente em cima da minha almofada. Deixei o quarto com passinhos de menina num silêncio que respeitou o mais sagrado. No salão agarrei num vestido acabado de engomar e meti-o em cima de mim, foi desse jeito que te deixei meu amor. A noite ainda era uma criança vagabunda, ainda sinto a pele dos meus pés a esfregar o cimento das ruas que se perdiam em recantos sem fim. Naveguei até não poder mais, a chuva matinal começava a molhar o meu rosto de mulher perdida. Andei, andei, para me distanciar daquilo que me unia a ti. Adoptei a atitude mais desvalorizante para não ter de enfrentar o determinado presente. Fugi como uma prisioneira que tentava fugir à vigilância dum segurança qualquer. Já passaram horas que desvaziei a nossa casa da minha presença e o meu vestido já estava mais que gasto. Já não sabia por onde ir, sentia no meu corpo a falta de ti, o calor do nascer do sol não preenchia a ausência do teu abraço, a iluminação pública das ruaelas não compensava o brilho do teu olhar que se deleitava ao ver-me respirar, perdida entre os comboios do feirante de sonhos. Foi nesse momento que me senti meelhor, alcancei a secreta chave das minhas respostas. Precisava de fugir, refugiar-me em cantos desconhecidos, de sentir o cheiro da solidão, de viver a noite dos bandidos para perceber o quanto tu és o abraço do meu coração, o quanto tenho medo de caminhar sem ti, o quanto tu me tornas mais mulher. Depois de olhar ao meu redor, virei-me e regressei a casa, segui cada desenho que os meus pés fizeram ao pisar o chão sujo e molhado. Entrei em casa, abri a porta, subi as escadas, com a porta entreaberta do quarto, tive o desejo de te espiar, de te observar, de contar cada respirar teu. Deitei-me a teu lado, pousei a minha cabeça por cima do teu ombro, enrolei-te com o meu braço pois o receio de te perder percorria-me. Não quero adormecer, não quero perder nem um segundo dessa tua maravilhosa forma de dormir. Meu amor, és tão meu, e sabes que mais? Que nunca caiam as pontes entre nós..."
Ana Pereira