segunda-feira, 1 de março de 2010

Modelo

São maus dias. Estou de pijama desde que acordei. Deambulo entre a cama e a cadeira da secretária, enquando me debato contra a contrariedade constante de querer sair e fazer alguma coisa com os amigos ou ficar em casa sozinho sem falar, ou me ouvir.
Se alguém quiser saber o que sinto, é nada. Vazio.
Apesar de ser um inconformado assumido para sempre, acho que hoje foi o dia em que me conformei com o constante que tem sido a vida até aqui.
Não o que eu esperava.
Não lhe chamo desilusão, simplesmente, só não é aquilo que eu esperava.
Não é aquilo que eu leio nos livros, nem o que eu vejo na televisão, nem o que se relata em filmes, nem o que há na casa da Ana, ou na da vizinha da frente, ou na do Sr. Casimiro.
E hoje foi o dia em que me conformei que não bastam palavras bonitas. Não bastam teorias.
Algumas pessoas não nasceram para compreenderem, para não discutirem, para não perderem a calma, para amarem o companheiro como se não houvesse mais nada a fazer. Algumas pessoas não nasceram para ser familia e estarem em tudo juntas.
Eu nasci numa familia que não nasceu para isso. E, consequentemente, eu cresci, e aprendi a ser qualquer coisa, em que o principal é não ser isso.
Que, por mais que leia e veja histórias tão bonitas, aquele nunca vou ser eu.
Não foi o meu modelo.


"It might be a crazy life, but it's our life. We're a family, and we're in this together."

Uhum... Seja o que seja. (28/02/10)

1 comentário:

  1. Meu rapaz como me encanta a forma simples como escreves... :)
    Tens razão, mas venha o que vier e acredita que melhores dias virão, a tua família (a nossa) ajudará e levará a melhor.
    Um abraço do teu primo Zé.

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